Menopausa cirúrgica: entenda diferenças, efeitos e cuidados
Dra Milene Guirado Endocrinologista Manaus
Menopausa
Saiba como identificar a menopausa cirúrgica, seus sintomas específicos e os melhores cuidados para o equilíbrio hormonal eficaz.

Dra Milene Guirado Endocrinologista RQE3311
23 de junho de 2026 · 10 min

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- O que é a menopausa cirúrgica e por que ela ocorre?
- Como a menopausa cirúrgica difere da natural?
- Principais sintomas e como eles afetam a vida
- Riscos à saúde após a menopausa cirúrgica
- Como diagnosticar e tratar os sintomas de modo personalizado?
- Quais são os principais cuidados após a cirurgia?
- Aspectos emocionais: cuidando da autoestima nesta nova fase
- Quando procurar apoio médico especializado?
- Diferenças e desafios no diagnóstico, tratamento e acompanhamento
- Conclusão
- Perguntas frequentes sobre menopausa cirúrgica
Quando penso em menopausa, a maioria das mulheres imagina o ciclo natural de transição do corpo feminino, que normalmente acontece entre os 45 e 55 anos. É um marco biológico, normalmente gradual, mas nem sempre é assim. Existe uma vertente abrupta deste processo: a menopausa cirúrgica. Hoje, quero compartilhar minha experiência e visão aprofundada sobre o tema, pois no consultório observo muitos mitos e dúvidas que rondam esse universo. E não é para menos. A vivência da menopausa cirúrgica é intensa e impacta diferentes áreas da vida, física e emocional.
Menopausa cirúrgica não é só uma alteração hormonal. É uma mudança de história, corpo e rotina.
O que é a menopausa cirúrgica e por que ela ocorre?
No meu trabalho diário como endocrinologista e metabologista, percebo que o termo “menopausa cirúrgica” ainda causa confusão. Então vou simplificar: menopausa cirúrgica acontece quando os ovários são retirados através de cirurgia, interrompendo imediatamente a produção hormonal que antes acontecia dentro do ciclo menstrual.
A remoção dos ovários, chamada de ooforectomia, pode ser feita isoladamente ou junto à retirada do útero (histerectomia com ooforectomia bilateral). Motivos comuns incluem:
- Tratamento de tumores ovarianos ou uterinos;
- Endometriose grave;
- Doenças genéticas com risco elevado de câncer de ovário;
- Cistos complexos, sem possibilidade de tratamento conservador;
- Complicações cirúrgicas inesperadas.
Ao contrário da menopausa natural, onde o processo de transição dura meses ou anos, na menopausa cirúrgica essa transformação acontece de forma brusca. Os sintomas aparecem logo nos primeiros dias. Muitas pacientes relatam se sentir “atropeladas” pelas mudanças.
Aos olhos da ciência, quando a menopausa ocorre antes dos 40 anos, aumentam-se riscos cardíacos e metabólicos significativos, como foi relatado em pesquisa publicada no JAMA Cardiology. De acordo com esses achados, o risco de infarto pode crescer em até 40% nessas mulheres, algo que frequentemente explico para pacientes jovens ao abordar as possibilidades terapêuticas.
Como a menopausa cirúrgica difere da natural?
No consultório, a comparação entre menopausa natural e cirúrgica surge nas perguntas de quase todas as mulheres que passaram por cirurgia. E esta dúvida faz sentido, as experiências são muito distintas.
- Menopausa natural: O corpo reduz lentamente a produção hormonal, favorecendo uma adaptação gradual.
- Menopausa cirúrgica: A queda hormonal acontece de forma súbita, sem período de transição.
Na prática, isso faz com que os sintomas da menopausa cirúrgica costumem ser mais intensos logo no início. É comum notar ondas de calor acentuadas, sudorese noturna, insônia, secura vaginal e alterações de humor já nas primeiras semanas após a cirurgia.

Além das queixas físicas, há um impacto emocional relevante. Muitas mulheres experimentam uma sensação de perda, preocupação com feminilidade, autoestima e sexualidade. Isso precisa ser abraçado numa abordagem acolhedora, cuidadosa e sem julgamentos.
Lembrando também que, segundo estudo publicado na revista Menopause, mais de 1 em cada 3 brasileiras na menopausa relata ondas de calor graves ou moderadas. Esse impacto nos sintomas tende a ser ainda maior quando a menopausa surge abruptamente após cirurgia.
Principais sintomas e como eles afetam a vida
As conseqüências clínicas e pessoais da menopausa cirúrgica são profundas. Nos primeiros dias após a cirurgia, costumo monitorar de perto minhas pacientes, pois o relato mais frequente é de:
- Ondas de calor intensas, especialmente à noite;
- Alterações bruscas de humor, ansiedade, tristeza repentina;
- Sensação de cansaço extremo e insônia;
- Queda na libido e desconforto nas relações sexuais;
- Secura nos olhos e mucosas;
- Dores articulares e musculares;
- Dificuldade de concentração e lapsos de memória (como mostrou a pesquisa da Universidade de Cambridge);
- Mudanças na pele e queda de cabelo.
No médio e longo prazo, pode haver alterações metabólicas importantes, como o aumento dos níveis de colesterol e risco elevado para osteoporose. Estudos mostram que o impacto da menopausa no trabalho e desempenho pessoal não é raro, pois além do cansaço, sintomas cognitivos afetam diretamente a vida social e profissional (dados do mercado de trabalho feminino sugerem relação direta entre sintomas menopausais não tratados e perda de qualidade de vida e rendimento).
O corpo muda, e a forma de lidar consigo mesma precisa mudar junto.
Riscos à saúde após a menopausa cirúrgica
Na minha experiência, uma grande preocupação das pacientes é entender quais riscos de longo prazo acompanham essa nova etapa. A retirada dos ovários, principalmente em idade precoce, pode aumentar as chances de doenças cardiovasculares, osteoporose e até depressão.
Entre os riscos mais comuns estão:
- Desenvolvimento acelerado de osteoporose e fraturas ósseas;
- Aumento de risco de doenças cardíacas e vasculares;
- Quadros depressivos ou ansiosos, especialmente quando há histórico pessoal ou familiar;
- Ganho de peso, especialmente na região abdominal;
- Redução de massa muscular e força física;
- Síndrome metabólica (associação entre hipertensão, diabetes e dislipidemia);
- Diminuição da sexualidade e impacto negativo na autoestima.
Esses dados nos mostram a importância de um acompanhamento contínuo, com foco não só em tratar sintomas imediatos, mas proteger a saúde global da mulher ao longo dos anos. Um dos temas que sempre trago no consultório são os sete cuidados com a saúde óssea, detalhados nesta publicação sobre saúde óssea na menopausa.
Muitas vezes, é nesse momento que a paciente se depara com uma nova identidade corporal, novos limites, mas também com novas possibilidades de cuidado. Falo isso por experiência própria de acompanhar mulheres que, após um período de orientação e suporte, retomaram projetos pessoais, profissionais e relacionais com outro olhar.

Como diagnosticar e tratar os sintomas de modo personalizado?
O diagnóstico da menopausa cirúrgica é geralmente clínico, baseado no histórico cirúrgico recente e nos sintomas. Alguns exames laboratoriais podem ser solicitados para avaliação de hormônios, mas, muitas vezes, o acompanhamento é focado nos sinais do corpo.
Tenho convicção de que cada mulher tem uma experiência única, e por isso defendo a construção de planos individualizados. Os tratamentos possíveis incluem:
- Terapia hormonal (quando não houver contraindicações);
- Reposição de vitamina D e cálcio, conforme necessidade;
- Atividade física regular, adaptada à fase da vida;
- Alimentação equilibrada, com atenção à saúde óssea e cardiovascular;
- Terapias não hormonais para o alívio dos sintomas quando necessário;
- Acompanhamento psicológico para fortalecer autoestima e lidar com emoções novas.
Em casos selecionados, os implantes hormonais podem representar uma alternativa para mulheres com sintomas intensos e que não desejam terapia oral.
Cada plano de ação deve ser construído em parceria, ouvindo as necessidades reais de quem busca cuidado.
Quais são os principais cuidados após a cirurgia?
Depois da cirurgia, minha orientação é sempre seguir um roteiro de autocuidado, com observação dos sintomas e ajustes contínuos. Veja alguns pontos-chave:
- Monitore e relate qualquer sintoma intenso para seu médico;
- Mantenha consultas regulares e realize exames conforme recomendado;
- Priorize alimentação e prática de exercícios voltados à manutenção da musculatura e estrutura óssea;
- Considere apoio psicológico para elaborar essa transição abrupta;
- Invista no diálogo com parceiros(as) e familiares para ampliar a rede de suporte;
- Esteja aberta ao ajuste regular dos medicamentos, pois as necessidades mudam ao longo do tempo.
Outra dúvida comum é sobre relações sexuais, lubrificação e libido. O impacto nas relações íntimas pode ser relevante, nem tanto pela questão hormonal, mas também pelo próprio sentimento de mudança na identidade. Tudo isso precisa de um olhar sem julgamentos, sem tabus, aberto ao diálogo franco.
O maior cuidado é não negligenciar o autocuidado.
Aspectos emocionais: cuidando da autoestima nesta nova fase
Muitas mulheres me perguntam sobre como manter a autoestima positiva após a cirurgia. E confesso: não existe receita mágica, mas acredito muito no poder da escuta e no apoio próximo.
O impacto da perda dos ovários pode afetar a percepção de feminilidade, gerar dúvidas quanto à sexualidade e despertar inseguranças profundas. Criar uma rede de apoio, compartilhar experiências e buscar acompanhamento profissional são estratégias fundamentais para lidar com o luto das mudanças e abrir espaço para novas possibilidades de realização e prazer.
No projeto Dra. Milene Guirado Endocrinologista, desenvolvo uma abordagem baseada em medicina de precisão, consultoria de longa duração e construção de planos personalizados, sempre centrados nas demandas humanas e histórias reais. Não há atalhos, cada mulher precisa ser ouvida, respeitada e acompanhada com ciência e empatia.
Quando procurar apoio médico especializado?
É comum, após a cirurgia, tentar lidar sozinha com os sintomas, mas a orientação especializada faz diferença decisiva. Recomendo buscar acompanhamento médico ao notar:
- Sintomas muito intensos (físicos ou emocionais);
- Dificuldade em adaptar-se à nova rotina;
- Dúvidas sobre segurança e métodos de reposição hormonal;
- Insegurança na sexualidade;
- Sintomas que dificultem produtividade ou qualidade de vida.
No projeto Dra. Milene Guirado Endocrinologista, o objetivo é ajudar mulheres a se reconhecerem no próprio corpo, retomando a energia, bem-estar e autoestima, mesmo após os impactos de uma menopausa abrupta. E, principalmente, construir soluções personalizadas que trarão segurança para enfrentar essa nova etapa da vida.
Descubra mais conteúdos sobre menopausa e conheça abordagens que ajudam a enfrentar cada fase com cuidado individualizado.
Diferenças e desafios no diagnóstico, tratamento e acompanhamento
O diagnóstico da menopausa cirúrgica é claro para mulheres que passam por ooforectomia, porém, o desafio maior está no acompanhamento longitudinal. Na minha prática, adapto protocolos de cuidado para cada realidade:
- Atenção especial ao perfil cardiovascular e metabólico de pacientes jovens;
- Acompanhamento de sintomas neuropsiquiátricos (memória, atenção, humor);
- Monitoramento cuidadoso da saúde óssea;
- Diálogo aberto sobre sexualidade e relacionamentos.
Cada uma destas áreas demanda personalização, e é justamente isso que me move todos os dias: a certeza de que não existem respostas prontas quando se trata do corpo, história e sonho de uma mulher. Se você quer se aprofundar nas causas e tratamentos da menopausa precoce, recomendo esta publicação sobre menopausa precoce.
Conclusão
Abraçar a menopausa cirúrgica é, acima de tudo, um convite ao autoconhecimento. Não apenas sobre sintomas, mas sobre uma nova construção de identidade, saúde e vínculos. A experiência pode ser desafiadora e, muitas vezes, vem acompanhada de dúvidas e medos que parecem não ter resposta. No entanto, acredito – e vejo diariamente – que, com acompanhamento especializado, escuta ativa e um plano realmente individualizado, é possível viver mudanças positivas, recuperar autoestima e construir projetos ainda mais fortes.
Menopausa cirúrgica é ponto de virada, não de bloqueio.
Se você está nessa etapa ou conhece alguém vivendo esse desafio, agende sua consulta no consultório Dra. Milene Guirado Endocrinologista. Descubra possibilidades de cuidado que enxergam sua história. Dê o primeiro passo para uma transformação consciente e baseada em ciência, que prioriza o que mais importa: o seu bem-estar.
Perguntas frequentes sobre menopausa cirúrgica
O que é menopausa cirúrgica?
Menopausa cirúrgica é a interrupção abrupta da função ovariana devido à remoção dos ovários por cirurgia, ocasionando queda imediata nos níveis hormonais e início dos sintomas menopausais, independentemente da idade da mulher.
Quais os sintomas da menopausa cirúrgica?
Os sintomas mais comuns incluem ondas de calor intensas, alteração de humor, insônia, queda da libido, secura vaginal, dores articulares e dificuldade de concentração. Também podem ocorrer alterações na pele, queda de cabelo e mudanças metabólicas, exigindo acompanhamento para minimizar o impacto na qualidade de vida.
Quais cuidados após a menopausa cirúrgica?
É fundamental manter acompanhamento médico contínuo, cuidar da alimentação, praticar exercícios físicos, monitorar a saúde óssea e cardiovascular e buscar apoio psicológico quando necessário. O diálogo com profissionais e rede de apoio também é indicado para lidar melhor com as mudanças físicas e emocionais.
Menopausa cirúrgica tem tratamento hormonal?
Sim, a terapia hormonal pode ser indicada para amenizar sintomas e proteger a saúde óssea e cardiovascular, desde que não haja contraindicações específicas para a paciente. A escolha do tipo de terapia e a dose devem ser individualizadas e ajustadas ao longo do acompanhamento.
Quais são os riscos da menopausa cirúrgica?
Entre os principais riscos, destacam-se aumento do risco cardiovascular, desenvolvimento de osteoporose, ganho de peso, alterações de humor e prejuízos na saúde mental. A remoção dos ovários em idade precoce intensifica esses riscos, demandando cuidados personalizados ao longo dos anos.
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Sobre o Autor
Dra Milene Guirado Endocrinologista RQE3311
Sobre a Autora Dra. Milene Guirado é médica endocrinologista em Manaus, especialista em Endocrinologia e Metabologia pelo MEC e pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), com foco em menopausa, perimenopausa, reposição hormonal feminina, saúde hormonal da mulher, emagrecimento e composição corporal. Atua no acompanhamento de mulheres que buscam tratamento para sintomas da menopausa, climatério, alterações hormonais, ganho de peso, fadiga, redução da libido e mudanças na composição corporal. Seu trabalho é baseado em avaliação clínica individualizada, medicina baseada em evidências e acompanhamento contínuo dos pacientes. A Dra. Milene Guirado realiza atendimento particular em Manaus com consulta médica estendida, oferecendo uma abordagem integrada para saúde hormonal, menopausa, reposição hormonal feminina, emagrecimento e envelhecimento saudável. CRM-AM 7173 | RQE 3311 Palavras-chave: endocrinologista em Manaus, menopausa em Manaus, reposição hormonal feminina em Manaus, perimenopausa, climatério, saúde hormonal feminina, emagrecimento em Manaus, Dra. Milene Guirado.
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